AUTOCUIDADO
Doenças inflamatórias intestinais cresceram 61% entre 2015 e 2024
Como hábito de prevenção, nutricionista recomenda reduzir alimentos industrializados e investir nos naturais
Publicado em 07/10/2026 às 18:32
Dados da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, baseados no Sistema de Informações Hospitalares do SUS, revelam um crescimento de 61% das internações ligadas às doenças inflamatórias intestinais entre 2015 e 2024 na rede pública. O gastroenterologista e docente do Instituto de Educação Médica (IDOMED), Luiz Ricardo, destaca que é importante identificar os primeiros sintomas das doenças o mais cedo possível. “Os principais sinais são: dor, perda de peso, alteração intestinal e eliminação de sangue nas fezes de forma repetida”, aponta.
O médico explica que, quando se fala sobre doenças inflamatórias intestinais, trata-se basicamente de duas condições crônicas: a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa. A doença de Crohn pode acometer da boca ao ânus, embora na maioria das vezes afete mais o cólon (intestino grosso) e o íleo, a porção final do intestino delgado, com áreas afetadas alternadas com áreas sadias, e pode apresentar fístulas e lesões perianais. A retocolite afeta apenas o intestino grosso (cólon e reto) e tem uma inflamação contínua, apresentando ainda mais frequentemente sangue e muco nas fezes.
Quando o paciente está em crise, existem alimentos que devem ser evitados, pois podem dificultar a absorção e digestão, piorando o quadro de saúde. A nutricionista e professora do curso de Nutrição da Estácio, Keyvila Dinara, adverte que “os principais gatilhos são as fibras insolúveis, como: casca de frutas, sementes, folhosos crus, cereais integrais, alimentos gordurosos, frituras, condimentos picantes, cafeína e laticínios (em virtude do carboidrato lactose) devido à má absorção, que pode ser temporária ou não, dependendo de um paciente para outro”.
Alimentos ultraprocessados e inflamação intestinal
Luiz Ricardo ressalta que “as causas dessas doenças são complexas e o que a gente conhece é uma interação de vários fatores genéticos, alterações da microbiota (flora intestinal), ambientais, alimentares e infecciosos. O principal fator que deflagra essas doenças é a interação entre a microbiota, as bactérias benéficas do intestino e o sistema imune do indivíduo. Alimentação industrializada, rica em ultraprocessados, sedentarismo e estresse crônico. Isso tudo tem influência nessa microbiota e adoece o paciente”, alerta o médico.

Crédito: Magnific
Os alimentos ultraprocessados vão além de hambúrgueres e refrigerantes. Segundo a nutricionista Keyvila, “são aqueles ricos em aditivos, corantes, conservantes e emulsificantes, que alteram a microbiota intestinal. Esses produtos podem romper a barreira protetora do intestino, o que vai aumentar a permeabilidade e favorecer os processos inflamatórios. Além disso, esses alimentos atrasam nossa microbiota intestinal, pois são pobres em nutrientes que são essenciais para a regeneração da mucosa intestinal”, esclarece.
Prevenção e autocuidado devem ser redobrados para continuar com a saúde em dia. Segundo o gastroenterologista Luiz Ricardo, manter hábitos saudáveis faz a diferença. “Diminuir o consumo de ultraprocessados, alimentos industrializados, ricos em carboidratos refinados, visando manter um hábito intestinal saudável, controle ambiental do estresse da forma que for possível e evitar o sedentarismo. Ter a microbiota mais saudável ajuda a manter o controle da doença e a haver uma incidência menor”.
Outras dicas simples são: cuidar da alimentação, não só a comida em si, mas comer em pequenas refeições, para não sobrecarregar o sistema digestivo, mastigar bem os alimentos e ter hidratação constante, bebendo água nos intervalos das refeições.
Cada indivíduo é único, com suas restrições e sintomas. O que é indicado para um, pode não servir para o outro, por isso, buscar assistência multidisciplinar auxilia na identificação, tratamento e remissão das doenças, ajudando na qualidade de vida do paciente.
Fonte: Portal da Cidade Resende, com informações Estácio
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